Em um poço... Grande o suficiente para os dois se mexerem, mas não caberia mais ninguém.
A água era muito clara e quente.
A luz vinha de todos os lados, inclusive de baixo, mas o poço era muito fundo.
Mesmo sabendo que tinham que sair dali, o sentimento era de paz, tranquilidade. Sabiam que sairiam em algum momento, de alguma forma.
Podiam e até sorriam. Mas as mãos doíam pelas tentativas de escalar as paredes.
Quando o cansaço chegou, começaram a se incomodar com a presença um do outro.
Num instinto de sobrevivência, começaram, em segredo, a pensar em usar o outro como escada, pra sair dali.
Quem sabe se ela se impulsionasse no ombro dele, mesmo sabendo que ele seria incapaz de tocar os pés no chão, e, cansado e fraco, inevitavelmente, morreria.
Quem sabe se ele esquecesse que ela estava ali, e tentasse, sem culpa, salvar a própria vida, mesmo sabendo que até ele encontrar alguém que pudesse ajudar, ela provavelmente já teria desistido. E morreria.
E, num momento de desespero, encostaram um no outro, e descobriram que, se unissem as costas e esticassem as pernas, conseguiriam, um apoiado ao outro, subir "andando" pelas paredes.
E, juntos, saíram daquele poço. O poço de águas limpas.

Lindo Lú, lindo...vou começar a pensar em um poço de maneira diferente...
ResponderExcluirbjs