Estranho é, no escuro da noite, sentir saudade do que ainda não veio
No calor da manhã sentir seu cheiro
Num dia de chuva deixar seu espaço no guarda-chuva
E passar batom pra caprichar no seu beijo
Estranho é andar na rua pensando em te encontrar
Imaginando as nossas conversas ao luar
Sair de casa de mãos dadas contigo
E no elevador olhar pro lado e não te achar
Estranho é fazer as compras no supermercado
E escolher sua bebida preferida, um bonsai e um tempero
Deixar a casa cheirosa e a cama arrumada
Tomar um banho demorado e pintar as unhas da mão e as do pé de vermelho
Estranho é olhar pela janela e ter a certeza de que você virá com o vento
Com as mãos no bolso cantarolando uma música em pensamento
Calmo e cabisbaixo, com esse seu jeito de andar pesado
E aí quando você chegar, o melhor de tudo:
o estranho vai ser passado!