quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Então é assim.
Você chega em casa, tira os sapatos, abre a geladeira.
Eu me mexo na cama, à horas tento dormir, pensando que, quando você chegar, eu vou acordar com o barulho.

E, ansiosa, espero. Minuto por minuto, segundo por segundo. O barulho que desperta.
A espera não faz mais sentido, já que antes de qualquer coisa, a insônia me encontrou.

Você bebe um copo d´água.
Ainda no escuro, senta no sofá e se deixa ficar. Não sei ao certo quanto tempo se passa até que você se levante e vá lavar o rosto.
Volta a abrir a geladeira.
Desiste de comer alguma coisa. Senta de novo no sofá.
Tira a camisa. Passa as mãos pelos cabelos. Tira as calças. Joga a cabeça para trás e esfrega os pés enquanto tira as meias.
As roupas ficam jogadas no chão da sala. Em silêncio testemunham o seu desespero.
Enquanto, na cama, o seu travesseiro vazio testemunha o meu.
Ouço o barulho do chuveiro.
Seus passos entrando no quarto, bem devagar, cuidando para que eu não acorde.
Deita ao meu lado. Ouço teu suspiro. O barulho dos pés roçando nos lençóis.
O cheiro do teu corpo. tão perto.

Então você se vira. Sustenta alguns segundos me olhando, no escuro. Passa os dedos pelos meus cabelos
e eu acordo assustada.
Acendo a luz e miro a cama. Vazia.
Assim como a sala, o banheiro e a cozinha.








E eu, ainda sentindo teu cheiro.










domingo, 27 de janeiro de 2013

A gente só escreve escrevendo.

A gente só sabe, aprendendo.
E a gente só aprende, fazendo.

A gente só vive, vivendo.
A gente só descobre, tentando.
A gente só enxerga, olhando.
A gente só perdoa, se abrindo.
A gente só se abre, arriscando.
A gente só sente, se permitindo.

A gente pode perder ganhando.

E às vezes, a gente só ganha, perdendo!

A lembrança de uma lembrança é uma lembrança?

Ou é um derivado, um telefone sem fio?
Será que as coisas de que hoje me lembro aconteceram realmente como eu estou me lembrando?

Ou será que juntei os sentimentos que foram se misturando à essas lembranças em cada fase da vida.
O que era bom, hoje pode parecer ainda melhor, quando multiplicado pela saudade.
O que foi ruim, pode não parecer tão ruim hoje, quando junto às superações e as coisas que aconteceram depois da experiência. Talvez por isso o tempo cure as feridas.

Algumas coisas somos capazes de lembrar com detalhes ao fecharmos os olhos. Algumas fisionomias, alguns cheiros, algumas vozes. Será?
Ou será que pensamos que lembramos?

Eu sei que hoje eu tenho medo da saudade.

E acho que já não tenho certeza de que as coisas aconteceram como estão hoje nas minha lembranças.