Então é assim.
Você chega em casa, tira os sapatos, abre a geladeira.
Eu me mexo na cama, à horas tento dormir, pensando que, quando você chegar, eu vou acordar com o barulho.
E, ansiosa, espero. Minuto por minuto, segundo por segundo. O barulho que desperta.
A espera não faz mais sentido, já que antes de qualquer coisa, a insônia me encontrou.
Você bebe um copo d´água.
Ainda no escuro, senta no sofá e se deixa ficar. Não sei ao certo quanto tempo se passa até que você se levante e vá lavar o rosto.
Volta a abrir a geladeira.
Desiste de comer alguma coisa. Senta de novo no sofá.
Tira a camisa. Passa as mãos pelos cabelos. Tira as calças. Joga a cabeça para trás e esfrega os pés enquanto tira as meias.
As roupas ficam jogadas no chão da sala. Em silêncio testemunham o seu desespero.
Enquanto, na cama, o seu travesseiro vazio testemunha o meu.
Ouço o barulho do chuveiro.
Seus passos entrando no quarto, bem devagar, cuidando para que eu não acorde.
Deita ao meu lado. Ouço teu suspiro. O barulho dos pés roçando nos lençóis.
O cheiro do teu corpo. tão perto.
Então você se vira. Sustenta alguns segundos me olhando, no escuro. Passa os dedos pelos meus cabelos
e eu acordo assustada.
Acendo a luz e miro a cama. Vazia.
Assim como a sala, o banheiro e a cozinha.
E eu, ainda sentindo teu cheiro.

Memória dos sentidos....Bjs
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