segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Debaixo d´água


Estavam debaixo d´água, os dois. Um homem e uma mulher. 
Em um poço... Grande o suficiente para os dois se mexerem, mas não caberia mais ninguém.
A água era muito clara e quente.
A luz vinha de todos os lados, inclusive de baixo, mas o poço era muito fundo.
Mesmo sabendo que tinham que sair dali, o sentimento era de paz, tranquilidade. Sabiam que sairiam em algum momento, de alguma forma. 
Podiam e até sorriam. Mas as mãos doíam pelas tentativas de escalar as paredes.

Quando o cansaço chegou, começaram a se incomodar com a presença um do outro. 

Num instinto de sobrevivência, começaram, em segredo, a pensar em usar o outro como escada, pra sair dali. 

Quem sabe se ela se impulsionasse no ombro dele, mesmo sabendo que ele seria incapaz de tocar os pés no chão, e, cansado e fraco, inevitavelmente, morreria. 

Quem sabe se ele esquecesse que ela estava ali, e tentasse, sem culpa, salvar a própria vida, mesmo sabendo que até ele encontrar alguém que pudesse ajudar, ela provavelmente já teria desistido. E morreria.

E, num momento de desespero, encostaram um no outro, e descobriram que, se unissem as costas e esticassem as pernas, conseguiriam, um apoiado ao outro, subir "andando" pelas paredes.

E, juntos, saíram daquele poço. O poço de águas limpas. 

Um comentário:

  1. Lindo Lú, lindo...vou começar a pensar em um poço de maneira diferente...

    bjs

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