No instante em que fecho meus olhos abro meu coração
No gosto do beijo, no cheiro da pele, no toque das mãos
os pelos da nuca se arrepiam e se misturam com os cabelos
que pulam por entre seus dedos nervosos e sedentos
brincando como crianças correndo pelo meu corpo
que fala com todos os poros no pé do seu ouvido
o que foi mil vezes imaginado, antes de ser vivido
O que foi tão desejado, o que foi tão proibido
No instante em que fecho meus olhos e um novo mundo se abre
de portas, janelas e pontes. De cores, formas e outro horizonte
em que eu não mais ando sozinha e somos os olhos do mar
olhando a beira da praia, ao longe a cidade acordar
pulsando sangue nas ruas, de uma longa madrugada
nas buscas e desencontros de casais que por quase nada
desfiguram as esquinas, com suas cores sombrias
poluem, cortam, escondem, seus medos na primeira entrada
No instante em que fecho meus olhos e vejo o sol brilhar
é la de longe que eu te vejo lindo, de olhos abertos sorrindo
E dentro da tua boca, no teu céu de idéias loucas
Vejo minha língua solta, suspensa e livre a dançar
Rodando e esperando o dia em que seremos estrelas
não duas, mas um milhão delas
num mundo onde os olhos fechados
serão clareiras abertas.
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